domingo, 5 de abril de 2009

CURSO DE DISLEXIA PARA PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO




PROPOSTA DE PALESTRA OU CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA


I – Dados do docente e condições de participação


Docente: Vicente Martins, 47 anos, natural de Iguatu(CE) Perfil acadêmico do docente: professor com 26 de experiência de magistério, sendo 15 dedicados à educação superior, em especial à pós-graduação de Letras e Psicopedagogia. Mestre em educação pela Universidade Federal do Ceará(UFC) e graduado e pós-graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará(UECE). Professor dos cursos de Letras(graduação e pós-graduação) em Letras e Psicopedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. Dedica-se, entusiasticamente, ao estudo e pesquisa sobre as dificuldades de aprendizagem em leitura (dislexia), escrita(disgrafia) e ortografia(disortografia).


Atualmente, Vicente Martins integra o Grupo de Trabalho(GT) – Transtornos Funcionais Específicos do Ministério da Educação (MEC/SEESP/SEB) que trata de elaboração de documento com estudos e diretrizes para os sistemas de ensino lideram com crianças com dislexia, disgrafia, disortografia e déficit de atenção. Curso proposto (detalhamento a seguir): Capacitação em Dislexia:como lidar com as crianças disléxicas em sala de aula Carga Horária: 03 horas/aula. Público-alvo: Professores(as) da rede pública de ensino do Acre e profissionais que fazem atendimento educacional especializado nas escolas. Condições do Curso a ser assegurada aos participantes: pasta com caneta e material didático (textos indicados pelo professor Vicente Martins para leitura prévia e no decorrer do curso), quadro branco, pincel, retroprojetor, datashow (prescindível), alimentação e hospedagem.úmero total de participantes:35 a 40 profissionais da área educacional II – Detalhamento do Curso
PROPOSTA DE CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA: como lidar com as crianças
disléxicas em sala de aula


Prof. MS Vicente Martins © 2008 Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), Sobral(CE). E-mail: vicente.martins@uol.com.br1. EmentaEstudo da dislexia e outras disfunções correlatas(disgrafia, disortografia), com ênfase em conceitos e características, atividades pedagógicas, registros de informações, avaliação da aprendizagem e promoção de educandos com necessidades educacionais especiais. 2. Natureza do cursoA leitura está tão presente m nossas vidas que acaba por nos parecer uma atividade “natural”, como a visão ou a audição. Basta pensar no que ocorre quando aparece ante nossos olhos uma palavra escrita, uma vez vista é impossível não lê-la, como quando vemos um objeto ou ouvimos um som não podemos nos negar a percebê-los. Lemos, pois, com a mesma espontaneidade e gratuidade com a que reconhecemos um objeto, um rosto ou uma melodia. Talvez por isso nos rebelamos ante a evidência de uma parte importante de nossos alunos escolarizados mostrarem graves insuficiências e dificuldades no seu domínio. Parece como se esperássemos que esta facilidade com a que trabalhamos na leitura, lhe correspondesse outra semelhante para alcançar seu domínio. Nada mais longe, no entanto, da realidade. A leitura precisa de um longo e, em certa medida, competente e laborioso processo de aprendizagem, no que devemos adquirir e automatizar um amplo número de habilidades que tem de operar de uma forma ordenada. Por tudo isso, ao fracassar na leitura, truncamos um amplo conjunto de possibilidade expressivas e receptivas que são decisivas para adquirir tudo quanto nossa cultura reclama a seus membros.


O presente curso de dislexia tem por fim a capacitação de profissionais na área de educação escolar, especialmente os que atuam na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio). As aulas, sempre dialogadas, proporcionam uma teoria da prática escolar e uma prática das teorias pedagógicas, lingüísticas, psicoepedagógicas e psicolingüísticas voltadas ao ensino-aprendizagem da leitura, escrita e ortografia.

3. Objetivos


Levar os profissionais que atuam na educação escolar e demais especialistas (supervisores, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e Psicólogos) aos seguintes objetivos: • conhecer a importância dos distintos pré-requisitos • Valorizar e necessários parta uma correta aprendizagem da leitura • Estudar e analisar as investigações sobre leitura e os modelos explicativos mais principais relevantes • Proporcionar conhecimentos básicos sobre os processos psicológicos envolvidos na leitura • Conhecer as dificuldades mais comuns que aula: atraso leitor e dislexias. • Conhecer os métodos de leitura: vantagens e desvantagens dos métodos de leitura para crianças com dificuldades de aprendizagem em leitura, escrita e ortografia. • Elaborar estratégias de intervenção aprendizagem e reabilitação das dificuldades leitoras didática na educação básica.

4. Programação de aula e conteúdos a serem ministrados


Tema 1.- A natureza da leitura e da dislexia

1.1. Leitura e as raízes histórias da dislexia

1.2. A leitura como processo decomponível.

1.3. A arquitetura funcional do processo da leitura


Tema 2. – Dificuldades na aprendizagem da leitura•

2.1. Evolução histórica dos estudos sobre as dificuldades de aprendizagem da leitura •

2.2. Maturidade para a leitura. Pré-requisitos para a aprendizagem da leitura como processo de decodificação • - Desenvolvimento da consciência fonológica • - Fatores lingüísticos • - Fatores cognitivos •

2.3. Processos psicológicos envolvidos na leitura • - Processos perceptivo-visuais • - Proceso de acesso ao significado • - processo sintático e semântico

Tema 3. – ALTERAÇÕES NA APRENDIZAGEM DA LEITURA

3.1. Atraso leitor versus dislexia3.2. Tipos de dislexia- Dislexia evolutiva - Dislexia profunda 3.3. Conceito, tipologia, avaliação e intervenção

Tema 4 - PROVAS PADRONIZADAS PARA A AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO EM LEITURA

4.1. O MEC e seus instrumentos de aferição da acurácia leitora: SAEB e Prova Brasil4.1. Estudo de casos de crianças em risco de dislexia4.2.Teste de compreensão leitora4.3. Programa de treinamento em leitura


Tema 5 - ROTEIRO DE SONDAGEM DE CRIANÇAS COM RISCO DE DISLEXIA


5.1. O que e como observar em crianças com risco de dislexia na educação infantil. 5.2. O que e como observar em crianças com risco de dislexia no ensino fundamental. 5.3. O que e como observar em crianças com risco de dislexia no ensino médio 5.Metodologia5.1. Exposição dos temas teóricos básicos (servindo-se de visuais, power-point, vídeos) estabelecendo uma relação e comunicação com os alunos, que estimule seu interesse pelo conhecimento, em uma clima de participação e intercâmbio de idéias e opiniões. • Reflexão pessoal e participação, nas atividades de sala de aula, são fundamentais no desenvolvimento do curso. Elaboração conjunta com os alunos do vocabulário específico na área de dislexiologia • Entrega de pequenos relatórios sobre casos de dislexia em sala de aula. • Análise de casos reais de dislexia e comentários críticos aos casos propostos em sala de casos para diagnóstico e intervenção educacional. 6. Critérios de avaliação e qualificaçãoRealizar-se-á através de: • Perguntas orais na sala de aula e entrega de trabalhos práticos relacionados com o programa do curso • Participação na condução da sala de aula com perguntas sobre dúvidas e comunicação sobre experiências do tema tratado. • Exposição de casos, leituras, em sala de aula, nos que mostram sua capacidade de organização, síntese, uso correto do vocabulário específico, fundamentação teórica e prática e expressão oral • Respeito aos demais alunos e professor manifestado por sua conduta de atenção e interesse durante as aulas


7. Bibliografia

1. ALLIEND, G. Felipe, CONDEMARÍN, Mabel. Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Tradução de José Cláudio de Almeida Abreu. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. 2. .CARDOSO-MARTINS, Cláudia (org.). Consciência fonológica e alfabetização.Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. 3. CATANIA, A. Charles. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. 4ª ed. Tradução de Deisy das Graças de Souza. Porto Alegre: Artmed, 1999. 4. CHAPMAN, Robin S. Processos e distúrbios na aquisição da linguagem. Tradução de Emilia de Oliveira Diehl e Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996. 5. COLL, César, MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesús. Desenvolvimento psicológico e educação: volune 3, transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. 2 ed. Tradução Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004. 6. COLOMER, Teresa, CAMPS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. 7. CONDEMARÍN, Mabel e MEDINA, Alejandra. A avaliação autêntica: um meio para melhorar as competências em linguagem e comunicação. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2005 8. CONDEMARÍN, Mabel, BLOMQUIST, Marlys. Dislexia: manual de leitura corretiva. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artmed, 1989. 9. CONDEMARÍN, Mabel.Leitura corretiva e remedial. Tradução de Jonas Pereira dos Santos. Campinas, SP: Psy II, 1994. 10. CORRÊA, Letícia Maria Sicuro(org.). Aquisição da linguagem e problemas do desenvolvimento lingüístico. São Paulo: Loyola, 2006. 11. DAVIS, Ronald Dell, BRAUN, Eldon M. O dom da dislexia: por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender. Tradução de Ana Lima e Garcia Badaró Massad. 12. EHRLICH, Stéphane. Aprendizagem e memória humanas. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. 13. ELLIS, Andrew W. Leitura, escrita e dislexia: uma análise cognitiva. 2ª ed. Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artmed, 1995. 14. EYSENCK, Michael W., KEANE, Mark T. Manual de psicologia cognitiva. 5ª ed. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2007. 15. FLAVELL, John H., MILLER, Patricia H. e MILLER, Scott A. Desenvolvimento cognitivo. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1999. 16. FONSECA, Vítor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed. rev. aum. Porto Alegre: Artmed, 1995. 17. GARCIA, Jesus Nicacio. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006. 18. GERBER, Adele. Problemas de aprendziagem relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996. 19. GRÉGOIRE, Jacques e col. Avaliando as aprendizagens: os aportes da psicologia cognitiva. Tradução de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000. 20. GRÉGOIRE, Jacques, PIÉRART, Bernadette. Avaliação dos problemas de leitura: os novos modelos teóricos e suas implicações diagnósticas. Tradução de Marian Regina Borges Osório. Porto Alegre: Artmed, 1997. 21. GUIMARÃES, Sandra Regina Kirchner. Aprendizagem da leitura e da escrita: o papel das habilidades metalingüísticas. São Paulo: Vetor, 2005. 22. HOUT, Anne Van, ESTIENNE, Françoise. Dislexias: descrição, avaliação, explicação, tratamento. 2ª ed. Tradução de Cláudia Shilling. Porto Alegre: Artmed, 2001. 23. JAMET, Éric. Leitura e aproveitamento escolar. Tradução de Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 2000. 24. JOLIBERT, Josette e col. Formando crianças leitoras, vol.1. Tradulção de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 1994. 25. KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1990. 26. KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.(Coleção Texto e Linguagem). 27. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas, SP: Pontes, 2001. 28. KLEIMAN, Ângela.Leitura:ensino e pesquisa. 2ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2004. 29. KOCH, Ingedore Villaça, ELIAS, Vanda Marai. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. 30. LAMPRECHT, Regina Ritter et ali. Aquisição fonológica do português: perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: Artmed, 2004. 31. LECOURS, André Roch, PARENTE, Maria Alice de Mattos Pimenta. Dislexia: implicações do sistema de escrita do português. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 32. LIBERATO, Yara, FULGÊNCIO, Lúcia. É possível facilitar a leitura: um guia para escrever claro. São Paulo: Contexto, 2007. 33. MARTINS, Vicente. A dislexia em sala de aula. In: PINTO, Maria Alice (org.). Psicopedagogia: diversas faces, múltiplos olhares. São Paulo: Olho d’Água, 2003. 34. MATA, Francisco Salvador. Como prevenir as dificuldades de expressão escrita. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2003. 35. McGUINNESS, Diane. O ensino da leitura. Tradução de Luzia Araújo. Porto Alegre: Artmed, 2006. 36. MCSHANE, John, DOCKRELL, Julie. Crianças com dificuldades de aprendizagem: uma abordagem cognitiva. Tradução de Andrea Negreda. Porto Alegre: Artmed, 2000. 37. MORAIS, Artur Gomes de (org.). O aprendizado da ortografia. 3ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. (Linguagem e educação, 4). 38. MORAIS, José. A arte de ler. São Paulo: Unesp, 1996. 39. MUSSALIM, Fernanda, BENTES, Anna Christina. (orgs.). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras,v.1. São Paulo: Cortez, 2001. 40. NUNES, Teresinha, BUARQUE, Lair e BRYANT, Peter. Dificuldades na aprendizagem da leitura: teoria e prática. São Paulo: Cortez, 1992.[Polêmicas do nosso tempo, 47] 41. PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artmed, 1992. 42. PENNINGTON, Bruce F. Diagnósticos de distúrbios de aprendizagem. São Paulo: Pioneira, 1997. 43. PUYUELO, Miguel e RONDAL, Jean-Adolphe. Manual de desenvolvimento e alterações da linguagem na criança e no adulto. Tradução de Antônio Feltrin. Porto Alegre: Artmed, 2007. 44. ROTTA, NewraTellechea, OHLWEILER, Lygia e RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. 45. SCHOLZE, Lia, RÖSING, Tania M. K. (Orgs.).Teorias e práticas de letramento. Brasília: INEP, 2007. 46. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Guia prático de alfabetização. São Paulo: Contexto, 2003. 47. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Introdução à psicolingüística. São Paulo: Ática, 1991. 48. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Princípios do sistema alfabético do português do Brasil. São Paulo: Contexto, 2003. 49. SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia: um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Tradução de Vinicius Figueira. Porto Alegre: Artmed, 2006. 50. SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler. 4ª ed. Tradução de Daise Batista. Porto Alegre: Artmed, 2003. 51. SMITH, Frank. Leitura significativa. Tradução de Beatriz Affonso Neves. Porto Alegre: Artmed, 1999. 52. SNOWLING, Margaret e STACKHOUSE, Joy. (orgs.) Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes.Porto Alegre: Artmed, 2004. 53. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6ª ed. Tradução de Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artmed, 1998. 54. TERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. 4ª Ed. Tradução de Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2008. 55. STERNBERG, Robert J., GRIGORENKO, Elena L. Crianças rotuladas: o que é necessário saber sobre as dificuldades de aprendizagem. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2003. 56. TACKHOUSE, Joy. (orgs.) Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes.Porto Alegre: Artmed, 2004. pp.183-202. 57. ZORZI, Jaime Luiz. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Maiores informações: 088-9911-0892/088-3614-5428. E-mail: vicente.martins@uol.com.br

PROPOSTA DE PALESTRA OU CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA






PROPOSTA DE PALESTRA OU CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA


I – Dados do docente e condições de participação


Docente: Vicente Martins, 47 anos, natural de Iguatu(CE) Perfil acadêmico do docente: professor com 26 de experiência de magistério, sendo 15 dedicados à educação superior, em especial à pós-graduação de Letras e Psicopedagogia. Mestre em educação pela Universidade Federal do Ceará(UFC) e graduado e pós-graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará(UECE). Professor dos cursos de Letras(graduação e pós-graduação) em Letras e Psicopedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. Dedica-se, entusiasticamente, ao estudo e pesquisa sobre as dificuldades de aprendizagem em leitura (dislexia), escrita(disgrafia) e ortografia(disortografia).


Atualmente, Vicente Martins integra o Grupo de Trabalho(GT) – Transtornos Funcionais Específicos do Ministério da Educação (MEC/SEESP/SEB) que trata de elaboração de documento com estudos e diretrizes para os sistemas de ensino lideram com crianças com dislexia, disgrafia, disortografia e déficit de atenção. Curso proposto (detalhamento a seguir): Capacitação em Dislexia:como lidar com as crianças disléxicas em sala de aula Carga Horária: 03 horas/aula. Público-alvo: Professores(as) da rede pública de ensino do Acre e profissionais que fazem atendimento educacional especializado nas escolas. Condições do Curso a ser assegurada aos participantes: pasta com caneta e material didático (textos indicados pelo professor Vicente Martins para leitura prévia e no decorrer do curso), quadro branco, pincel, retroprojetor, datashow (prescindível), alimentação e hospedagem.úmero total de participantes:35 a 40 profissionais da área educacional II – Detalhamento do Curso
PROPOSTA DE CURSO DE CAPACITAÇÃO EM DISLEXIA: como lidar com as crianças
disléxicas em sala de aula


Prof. MS Vicente Martins © 2008 Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), Sobral(CE). E-mail: vicente.martins@uol.com.br1. EmentaEstudo da dislexia e outras disfunções correlatas(disgrafia, disortografia), com ênfase em conceitos e características, atividades pedagógicas, registros de informações, avaliação da aprendizagem e promoção de educandos com necessidades educacionais especiais. 2. Natureza do cursoA leitura está tão presente m nossas vidas que acaba por nos parecer uma atividade “natural”, como a visão ou a audição. Basta pensar no que ocorre quando aparece ante nossos olhos uma palavra escrita, uma vez vista é impossível não lê-la, como quando vemos um objeto ou ouvimos um som não podemos nos negar a percebê-los. Lemos, pois, com a mesma espontaneidade e gratuidade com a que reconhecemos um objeto, um rosto ou uma melodia. Talvez por isso nos rebelamos ante a evidência de uma parte importante de nossos alunos escolarizados mostrarem graves insuficiências e dificuldades no seu domínio. Parece como se esperássemos que esta facilidade com a que trabalhamos na leitura, lhe correspondesse outra semelhante para alcançar seu domínio. Nada mais longe, no entanto, da realidade. A leitura precisa de um longo e, em certa medida, competente e laborioso processo de aprendizagem, no que devemos adquirir e automatizar um amplo número de habilidades que tem de operar de uma forma ordenada. Por tudo isso, ao fracassar na leitura, truncamos um amplo conjunto de possibilidade expressivas e receptivas que são decisivas para adquirir tudo quanto nossa cultura reclama a seus membros.


O presente curso de dislexia tem por fim a capacitação de profissionais na área de educação escolar, especialmente os que atuam na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio). As aulas, sempre dialogadas, proporcionam uma teoria da prática escolar e uma prática das teorias pedagógicas, lingüísticas, psicoepedagógicas e psicolingüísticas voltadas ao ensino-aprendizagem da leitura, escrita e ortografia.

3. Objetivos


Levar os profissionais que atuam na educação escolar e demais especialistas (supervisores, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e Psicólogos) aos seguintes objetivos: • conhecer a importância dos distintos pré-requisitos • Valorizar e necessários parta uma correta aprendizagem da leitura • Estudar e analisar as investigações sobre leitura e os modelos explicativos mais principais relevantes • Proporcionar conhecimentos básicos sobre os processos psicológicos envolvidos na leitura • Conhecer as dificuldades mais comuns que aula: atraso leitor e dislexias. • Conhecer os métodos de leitura: vantagens e desvantagens dos métodos de leitura para crianças com dificuldades de aprendizagem em leitura, escrita e ortografia. • Elaborar estratégias de intervenção aprendizagem e reabilitação das dificuldades leitoras didática na educação básica.

4. Programação de aula e conteúdos a serem ministrados


Tema 1.- A natureza da leitura e da dislexia

1.1. Leitura e as raízes histórias da dislexia

1.2. A leitura como processo decomponível.

1.3. A arquitetura funcional do processo da leitura


Tema 2. – Dificuldades na aprendizagem da leitura•

2.1. Evolução histórica dos estudos sobre as dificuldades de aprendizagem da leitura •

2.2. Maturidade para a leitura. Pré-requisitos para a aprendizagem da leitura como processo de decodificação • - Desenvolvimento da consciência fonológica • - Fatores lingüísticos • - Fatores cognitivos •

2.3. Processos psicológicos envolvidos na leitura • - Processos perceptivo-visuais • - Proceso de acesso ao significado • - processo sintático e semântico

Tema 3. – ALTERAÇÕES NA APRENDIZAGEM DA LEITURA

3.1. Atraso leitor versus dislexia3.2. Tipos de dislexia- Dislexia evolutiva - Dislexia profunda 3.3. Conceito, tipologia, avaliação e intervenção

Tema 4 - PROVAS PADRONIZADAS PARA A AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO EM LEITURA

4.1. O MEC e seus instrumentos de aferição da acurácia leitora: SAEB e Prova Brasil4.1. Estudo de casos de crianças em risco de dislexia4.2.Teste de compreensão leitora4.3. Programa de treinamento em leitura


Tema 5 - ROTEIRO DE SONDAGEM DE CRIANÇAS COM RISCO DE DISLEXIA


5.1. O que e como observar em crianças com risco de dislexia na educação infantil. 5.2. O que e como observar em crianças com risco de dislexia no ensino fundamental. 5.3. O que e como observar em crianças com risco de dislexia no ensino médio 5.Metodologia5.1. Exposição dos temas teóricos básicos (servindo-se de visuais, power-point, vídeos) estabelecendo uma relação e comunicação com os alunos, que estimule seu interesse pelo conhecimento, em uma clima de participação e intercâmbio de idéias e opiniões. • Reflexão pessoal e participação, nas atividades de sala de aula, são fundamentais no desenvolvimento do curso. Elaboração conjunta com os alunos do vocabulário específico na área de dislexiologia • Entrega de pequenos relatórios sobre casos de dislexia em sala de aula. • Análise de casos reais de dislexia e comentários críticos aos casos propostos em sala de casos para diagnóstico e intervenção educacional. 6. Critérios de avaliação e qualificaçãoRealizar-se-á através de: • Perguntas orais na sala de aula e entrega de trabalhos práticos relacionados com o programa do curso • Participação na condução da sala de aula com perguntas sobre dúvidas e comunicação sobre experiências do tema tratado. • Exposição de casos, leituras, em sala de aula, nos que mostram sua capacidade de organização, síntese, uso correto do vocabulário específico, fundamentação teórica e prática e expressão oral • Respeito aos demais alunos e professor manifestado por sua conduta de atenção e interesse durante as aulas


7. Bibliografia

1. ALLIEND, G. Felipe, CONDEMARÍN, Mabel. Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Tradução de José Cláudio de Almeida Abreu. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. 2. .CARDOSO-MARTINS, Cláudia (org.). Consciência fonológica e alfabetização.Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. 3. CATANIA, A. Charles. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. 4ª ed. Tradução de Deisy das Graças de Souza. Porto Alegre: Artmed, 1999. 4. CHAPMAN, Robin S. Processos e distúrbios na aquisição da linguagem. Tradução de Emilia de Oliveira Diehl e Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996. 5. COLL, César, MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jesús. Desenvolvimento psicológico e educação: volune 3, transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. 2 ed. Tradução Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004. 6. COLOMER, Teresa, CAMPS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. 7. CONDEMARÍN, Mabel e MEDINA, Alejandra. A avaliação autêntica: um meio para melhorar as competências em linguagem e comunicação. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2005 8. CONDEMARÍN, Mabel, BLOMQUIST, Marlys. Dislexia: manual de leitura corretiva. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artmed, 1989. 9. CONDEMARÍN, Mabel.Leitura corretiva e remedial. Tradução de Jonas Pereira dos Santos. Campinas, SP: Psy II, 1994. 10. CORRÊA, Letícia Maria Sicuro(org.). Aquisição da linguagem e problemas do desenvolvimento lingüístico. São Paulo: Loyola, 2006. 11. DAVIS, Ronald Dell, BRAUN, Eldon M. O dom da dislexia: por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender. Tradução de Ana Lima e Garcia Badaró Massad. 12. EHRLICH, Stéphane. Aprendizagem e memória humanas. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. 13. ELLIS, Andrew W. Leitura, escrita e dislexia: uma análise cognitiva. 2ª ed. Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artmed, 1995. 14. EYSENCK, Michael W., KEANE, Mark T. Manual de psicologia cognitiva. 5ª ed. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2007. 15. FLAVELL, John H., MILLER, Patricia H. e MILLER, Scott A. Desenvolvimento cognitivo. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1999. 16. FONSECA, Vítor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed. rev. aum. Porto Alegre: Artmed, 1995. 17. GARCIA, Jesus Nicacio. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006. 18. GERBER, Adele. Problemas de aprendziagem relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1996. 19. GRÉGOIRE, Jacques e col. Avaliando as aprendizagens: os aportes da psicologia cognitiva. Tradução de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000. 20. GRÉGOIRE, Jacques, PIÉRART, Bernadette. Avaliação dos problemas de leitura: os novos modelos teóricos e suas implicações diagnósticas. Tradução de Marian Regina Borges Osório. Porto Alegre: Artmed, 1997. 21. GUIMARÃES, Sandra Regina Kirchner. Aprendizagem da leitura e da escrita: o papel das habilidades metalingüísticas. São Paulo: Vetor, 2005. 22. HOUT, Anne Van, ESTIENNE, Françoise. Dislexias: descrição, avaliação, explicação, tratamento. 2ª ed. Tradução de Cláudia Shilling. Porto Alegre: Artmed, 2001. 23. JAMET, Éric. Leitura e aproveitamento escolar. Tradução de Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 2000. 24. JOLIBERT, Josette e col. Formando crianças leitoras, vol.1. Tradulção de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 1994. 25. KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1990. 26. KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.(Coleção Texto e Linguagem). 27. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas, SP: Pontes, 2001. 28. KLEIMAN, Ângela.Leitura:ensino e pesquisa. 2ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2004. 29. KOCH, Ingedore Villaça, ELIAS, Vanda Marai. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. 30. LAMPRECHT, Regina Ritter et ali. Aquisição fonológica do português: perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: Artmed, 2004. 31. LECOURS, André Roch, PARENTE, Maria Alice de Mattos Pimenta. Dislexia: implicações do sistema de escrita do português. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 32. LIBERATO, Yara, FULGÊNCIO, Lúcia. É possível facilitar a leitura: um guia para escrever claro. São Paulo: Contexto, 2007. 33. MARTINS, Vicente. A dislexia em sala de aula. In: PINTO, Maria Alice (org.). Psicopedagogia: diversas faces, múltiplos olhares. São Paulo: Olho d’Água, 2003. 34. MATA, Francisco Salvador. Como prevenir as dificuldades de expressão escrita. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2003. 35. McGUINNESS, Diane. O ensino da leitura. Tradução de Luzia Araújo. Porto Alegre: Artmed, 2006. 36. MCSHANE, John, DOCKRELL, Julie. Crianças com dificuldades de aprendizagem: uma abordagem cognitiva. Tradução de Andrea Negreda. Porto Alegre: Artmed, 2000. 37. MORAIS, Artur Gomes de (org.). O aprendizado da ortografia. 3ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. (Linguagem e educação, 4). 38. MORAIS, José. A arte de ler. São Paulo: Unesp, 1996. 39. MUSSALIM, Fernanda, BENTES, Anna Christina. (orgs.). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras,v.1. São Paulo: Cortez, 2001. 40. NUNES, Teresinha, BUARQUE, Lair e BRYANT, Peter. Dificuldades na aprendizagem da leitura: teoria e prática. São Paulo: Cortez, 1992.[Polêmicas do nosso tempo, 47] 41. PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artmed, 1992. 42. PENNINGTON, Bruce F. Diagnósticos de distúrbios de aprendizagem. São Paulo: Pioneira, 1997. 43. PUYUELO, Miguel e RONDAL, Jean-Adolphe. Manual de desenvolvimento e alterações da linguagem na criança e no adulto. Tradução de Antônio Feltrin. Porto Alegre: Artmed, 2007. 44. ROTTA, NewraTellechea, OHLWEILER, Lygia e RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. 45. SCHOLZE, Lia, RÖSING, Tania M. K. (Orgs.).Teorias e práticas de letramento. Brasília: INEP, 2007. 46. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Guia prático de alfabetização. São Paulo: Contexto, 2003. 47. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Introdução à psicolingüística. São Paulo: Ática, 1991. 48. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Princípios do sistema alfabético do português do Brasil. São Paulo: Contexto, 2003. 49. SHAYWITZ, Sally. Entendendo a dislexia: um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Tradução de Vinicius Figueira. Porto Alegre: Artmed, 2006. 50. SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler. 4ª ed. Tradução de Daise Batista. Porto Alegre: Artmed, 2003. 51. SMITH, Frank. Leitura significativa. Tradução de Beatriz Affonso Neves. Porto Alegre: Artmed, 1999. 52. SNOWLING, Margaret e STACKHOUSE, Joy. (orgs.) Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes.Porto Alegre: Artmed, 2004. 53. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6ª ed. Tradução de Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artmed, 1998. 54. TERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. 4ª Ed. Tradução de Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2008. 55. STERNBERG, Robert J., GRIGORENKO, Elena L. Crianças rotuladas: o que é necessário saber sobre as dificuldades de aprendizagem. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 2003. 56. TACKHOUSE, Joy. (orgs.) Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Tradução de Magda França Lopes.Porto Alegre: Artmed, 2004. pp.183-202. 57. ZORZI, Jaime Luiz. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Maiores informações: 088-9911-0892/088-3614-5428. E-mail: vicente.martins@uol.com.br

Educar é um ato de amor! A mais nobre e complexa missão dos pais!





Educar é um ato de amor! A mais nobre e complexa missão dos pais!

Valdomiro Carezia


Parece até contraditório; vivemos numa época de muita comunicação, muita informação, muita orientação, mas de pouca educação. Na verdade, estamos vivendo já há algum tempo uma verdadeira crise educacional: omissão das famílias, notadamente dos pais, das instituições governamentais, das escolas e mesmo da Igreja.

Uma afirmativa, atribuída à escritora Adélia Prado, dizia: “se pudesse pedir alguma coisa a Deus, não pediria pão de queijo; pediria fome, porque sem fome, não adiantaria ter em mãos o pão de queijo”. Desse modo, estaria faltando para a educação “fome de conhecimento, fome de ensino, fome de mudança”. Com o que concordamos e acrescentamos: e a fome de valores?

Será que essa fome não existe mais? Deixou de fazer parte do “cardápio da vida”? Ao que parece, estão sendo servidos “falsos valores”, os quais vêm “enganando” a fome da humanidade de verdadeiros valores humanos. Desse modo, ou “morre-se de fome” ou “morre-se de intoxicação”. O que aconteceu com nossos valores?

A sociedade moderna parece abandonar os “padrões éticos de valores” e deixa-se levar por “critérios imediatistas e pragmáticos”, no desejo de se livrar das “influências da doutrina da Igreja”, algo preocupante, e denunciado em inúmeros documentos da Igreja católica, bem como de leigos. É o caso da Conferência Episcopal Portuguesa e da revista “Hora da Família”, com conteúdos significativos a respeito da Educação fundada na Verdade e no Amor, como a única forma de se evitar uma desordem social generalizada...

Constatam-se, então, sintomas de uma verdadeira “mutação cultural”: o exercício de uma “liberdade sem limites”, sem responsabilidade, beirando, por vezes, a libertinagem; a injustiça, a corrupção; a crescente marginalização social, a violência, a insegurança; as dependências do álcool e demais drogas, a delinqüência juvenil; a globalização, nem sempre bem entendida, bem conduzida; o poder político, fragmentado e enfraquecido; os sintomas graves de perda de confiança nas instituições, dando margem para a ilegalidade e para a informalidade. [1]

Vemos uma sociedade materialista e individualista, que prioriza aspectos econômicos e financeiros; desintegra-se o vínculo familiar; acentuam-se o secularismo, o hedonismo, o relativismo moral e outros contra-valores.

Tenta-se viver sem valores humanos, tenta-se educar sem valores humanos. Mas isso é totalmente impossível, na família ou na escola. Viver exige conviver e viver bem exige conviver bem. Como conviver bem e humanamente sem observar os verdadeiros valores morais e sociais? Como adquirir tais valores sem uma educação que os priorize?

Estamos falando de educação familiar e de educação escolar e, se elas existem, são insuficientes e não cumprem satisfatoriamente o seu papel.

Como nunca, a educação é uma prioridade gritante. O único caminho capaz de restaurar os verdadeiros valores humanos, sociais, políticos e religiosos.

O que hoje se define como qualidade de ensino ignora essa verdade, preocupando-se com uma elevada carga de conteúdos disciplinares que atendem à demanda do mercado e não à plenitude da vida. E o pior é que os pais acabam, por falta de tempo, de interesse ou de consciência do problema, aceitando isso como próprio dos tempos modernos. Estamos esquecendo que educar é preparar para a vida, para que possamos ter em nosso meio cidadãos de verdade, seres humanos integrais e íntegros, plenamente conscientes de seus direitos e deveres, comprometidos com o bem-estar próprio, mas sobretudo voltado para os outros, para uma sociedade mais humana e fraterna.

Bem sabemos que “toda família deveria ser uma escola, onde se aprende a grande arte de amar, de respeitar, onde se brinca, se joga, se chora, se reza e se praticam os relacionamentos pessoais, sociais”, e que “toda escola deveria ser uma família, onde os laços do amor se ampliam, cresce o respeito pelo diferente, adquire-se cultura e sabedoria para viver os princípios da cidadania e da solidariedade fraterna.” [2]

Por diversos motivos, “sabemos que a família não consegue cumprir bem o seu papel. O mesmo acontece com a escola. Existe, na prática, uma preocupação maior de passar informação, do que de colaborar com a família na formação do cidadão. E por que as coisas estão assim? Porque infelizmente a família nem sempre acompanha, avalia, critica e colabora com a escola. A grande maioria dos pais se dá por satisfeita quando consegue matricular e manter os filhos na escola. Os que têm maior poder aquisitivo acham que os filhos estão bem se foram matriculados numa “boa” escola particular. Afinal, o que é uma boa escola? É aquela que prepara para o vestibular? Que profissionaliza? Que dá merenda? Que tem informática, judô, balé, natação, etc.? É aquela que distribui camisinha? As perguntas parecem simples, mas exigem muita reflexão. A escola sendo colaboradora da família na formação de cidadãos tem um papel relevante na continuidade dos valores que foram passados em casa. Para isto a família deve estar atenta e caminhar junto.” [2]

Se não basta que a escola apenas passe instruções, temos que ser atuantes e atentos. Que valores ela cultiva? Quais ela agride? Quem são os professores? Não podemos ignorar que a escola influencia fortemente nossos filhos, para o bem e para o mal. Se escola, família e Igreja trabalharem juntas na formação de cidadãos, certamente os resultados aparecerão...

Nas acertadas palavras de D. Rafael Llano Cifuentes, “educar os filhos hoje é uma tarefa extremamente complexa. [...] Os pais têm que dar aos filhos uma real capacidade para escolher, diante das diferentes opções de vida, qual é o caminho certo. Especialmente hoje, diante de modelos culturais tão diferentes, os pais têm a obrigação de orientar cristãmente os filhos [...]. Para esse trabalho, os pais têm de tomar consciência de que os valores que querem transmitir aos filhos precisam ser vividos primeiro por eles. E necessário que sejam como um guia que vai na frente, que indica, com a sua experiência, as passagens mais seguras, os lugares menos perigosos, os caminhos mais diretos... Cada pai, cada mãe tem de ser um guia autêntico. Tem de experimentar em si, antes, as virtudes que deseja que o filho viva depois”. [3]

Educar é construir valores. Como bem lembra Vicente Martins, em um de seus artigos, “os valores não surgem na vida em sociedade como um trovão no céu. São construídos na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas escolas, nas manifestações culturais, nos movimentos e organizações locais. Conhecê-los, compreendê-los e praticá-los é uma questão fundamental da sociedade atual, imersa numa rede complexa de situações e fenômenos que exige, a cada dia, atitudes éticas como a honestidade, a bondade e a virtude, considerados, em todas as civilizações modernas, como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens”.

Não podemos esquecer que a vida humana é única e foi concebida para ser plenamente vivida, além do que é revestida de eternidade. Temos uma vida que não passa, apenas se transforma. Não faz sentido a pressa com que vivemos hoje em dia, o que talvez justifique uma educação, ou melhor, um ensino superficial: precisamos de uma educação para uma vida plena e duradoura; afinal a educação é, não só para a pessoa, como para a humanidade; para o presente e para o futuro.

Pai e mãe, pela Lei Natural, têm o direito e o dever de educar seus filhos. Deixar que a sociedade substitua a família indica má intenção por parte da primeira ou descaso da segunda.

“O pai e a mãe são as pessoas que mais amam os filhos. Por este motivo, eles são os mais qualificados educadores. Nem todos têm esta consciência e, por isto, muitos se omitem na educação dos filhos”, seja por falta de condições próprias, seja porque carecem da cooperação do Estado e da sociedade em geral. E as novas gerações acabam desassistidas... “Está na hora da família assumir com mais cuidado o seu papel insubstituível na formação de seus filhos”. [4]

É urgente cuidar da dimensão religiosa da pessoa humana. Não haverá educação integral, se a mesma não for tomada em consideração; nem se compreenderá verdadeiramente a realidade social, sem o conhecimento do fenômeno religioso e das suas expressões e influências culturais. A vida humana sem transcendência e sem religiosidade perde horizontes, torna-se efêmera e conduz a uma sociedade vazia de sentido. Assim, uma adequada educação moral e religiosa contribui de maneira eficaz para “formar personalidades ricas de interioridade, dotadas de força moral e abertas aos valores da justiça, da solidariedade e da paz, capazes de usar bem a própria liberdade.” [5].

A Carta Pastoral sobre educação, da Conferência Episcopal Portuguesa [6], salienta que a família não pode, sozinha, realizar uma tarefa tão complexa como é a educação. Precisa do suporte e do apoio do Estado, com seu papel no serviço às pessoas e ao bem comum e na organização da sociedade civil. Precisa da escola, responsável por uma parte fundamental do projeto e do processo educativo. Dos meios de comunicação social, porque podem constituir um poderoso instrumento educativo, quer pela informação que proporcionam, quer pelos valores que veiculam. Conta com a Igreja para proporcionar à pessoa a visão cristã do mundo, do homem e de Deus.

Não podemos ignorar que a Vida é nosso bem maior, mas está cada dia mais atacada por contra-valores: o ser humano deixa de valer pelo que “é” e passa a “valer” pelo que “tem”, pela capacidade de produzir, consumir, gerar lucro. Não podemos aceitar que o homem - imagem e semelhança de Deus - seja manipulado e “coisificado”.

Diz o ditado popular que “quem quer faz e quem não quer manda” e, nessa mesma linha estão as palavras da música... “quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”. Infelizmente não fazemos a nossa parte; embora saibamos o que fazer e até como fazer, preferimos esperar dos outros. E as coisas necessárias não acontecem, são ignoradas ou adiadas; a vida vai perdendo o seu brilho...

Está faltando educação para o Amor, para a Vida. Está mesmo faltando berço!
[1] Cfr. Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa – Crise de Sociedade, Crise de Civilização – 2001.[2] Cfr. Revista “Hora da Família” – vol. 8 – 2004 – Publicação anual do Setor Família e Vida – CNBB.[3] Cfr. Revista “Hora da Família” – vol. 5 – 2001.
[4] Cfr. Revista “Hora da Família” – vol. 9 – 2005.
[5] Cfr. Educação Moral e Religiosa Católica – Um valioso contributo para a formação da personalidade – 2006 (Conferência Episcopal Portuguesa)
[6] Cfr. Carta Pastoral: Educação – Direito e dever – missão nobre ao serviço de todos – 2002 (Conferência Episcopal Portuguesa).


Valdomiro Carezia é professor e auditor fiscal aposentado. Possui Curso de Teologia para leigos, escreve para o jornal "A Federação" de Itu, e é colunista do site http://www.itu.com.br/scripts/editor
E-mail: valdomiro@carezia.srv.br.